Entrevista: Cristóvão Silva - Presidente da Direção da ANCC

17 Abr 2018
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Localizada no centro do país, mais propriamente em Leiria, a Associação Nacional do Corpo e do Cabelo tem vindo a conhecer um crescimento gradual e sustentado por fortes bases, fruto de uma direção bem organizada e com um forte espírito de iniciativa. Para conhecermos um pouco melhor o trabalho e os objetivos desta associação, conversámos com o Presidente da Direção, Cristóvão Silva.

Para começar, partilhe connosco um pouco do seu percurso no mundo dos cuidados de beleza.
Começou por ser uma segunda opção, depois da arquitetura, para dar seguimento a um ofício que já era de família. Por ter uma visão da profissão internamente, desagradavam-me as condições de trabalho sem horários e sem regras que havia na época, há 35 anos. Ao querer fazer um percurso de formação qualificada, queria sobretudo ter um estatuto profissional em que pudesse ser eu a definir as regras de trabalho.
Fui para Lisboa e depressa me envolvi em tudo o que era moda e todo o tipo de eventos com Associações e o Clube Artístico. Trabalhei também com o António Pinto, participei em produções de televisão e de cinema. A competição era a minha adrenalina e só parei depois da participação no Campeonato do Mundo, em Las Vegas, em 2002.
Ao voltar para Fátima, deparei-me com uma profissão a duas velocidades: aqueles que tinham Carteira Profissional e os outros, sem autoestima por não se sentirem profissionais.
Por ser Oficial de Cabeleireiro, fui "requisitado" para dar formação, primeiro no IEFP e, posteriormente, na ANCC. Era também Júri de Avaliação, além de estar no cabeleireiro.
Atualmente, vivo em Espinho, onde, com a minha esposa, conseguimos desenvolver um conceito de Wellness - Clínica Rejuvie, onde coabita o cabeleireiro e a estética juntamente com a medicina e a cirurgia estética, implantologia capilar e dentária, além de outras mais-valias, todas elas integrativas. Conseguimos interligar a moda, a saúde e o bem-estar num só espaço.

Como integrou a Associação Nacional do Corpo e do Cabelo? E a presidência da direção?
O meu pai era um dos elementos da direção da ANCC e comecei a assistir às reuniões desde muito novo. Em 1991, entrei para o lugar dele e sempre fiz parte dos elementos da direção. Depois criou-se uma envolvência e desde 2012 assumi a presidência com uma lista com novos elementos para injetar sangue novo. Acabo por ser dos únicos sobreviventes das antigas gerações.

Quais são as suas principais funções enquanto Presidente da Direção?
Não sendo uma profissão assalariada, obriga a uma responsabilidade mais cuidadosa. Neste momento na ANCC, com as novas instalações personalizadas, criou-se um quadro interno extremamente funcional e eficaz com bastante autonomia. A integração de pessoas novas nos corpos sociais da associação proporcionou um olhar diferente sobre as necessidades dos associados.
Continuo com a motivação de valorizar estes setores da moda e da beleza, para estabelecer uma ligação sólida, mais íntima e legítima com a saúde. Afinal, direta ou indiretamente, todos estamos focados no bem-estar das pessoas, seja na qualidade de cliente ou de paciente. Mas essa espécie de fusão obriga o nosso setor a subir o nível de conhecimento científico. Tenho muito presente essa consciencialização devido ao conceito empresarial que neste momento lidero em Espinho. Os clientes sentem-se seguros por existir uma linguagem transversal e única entre cabeleireiros, esteticistas, terapeutas e a parte médica.
No mercado atual, a união e o trabalho em equipa, com uma linguagem mais aproximada é fundamental para uma convergência sobre que é o Wellness.  No nosso setor, será mais fácil quando deixarmos de falar apenas, ou de dar a cara por marcas, optando por uma linguagem mais consciente sobre princípios ativos. Não se pode dizer que é bom porque é de A ou B, mas sim discutir e saber o porquê.

Qual a missão da ANCC?
A missão da ANCC passa por representar e defender as empresas e os empresários do setor dos Cuidados Corporais e apoiá-los no progresso económico, social e cultural, e no estudo e defesa dos seus interesses e direitos.
A ANCC apoia o seu associado em todas a variantes empresariais, proporciona além da formação base, progressão e ascensão na carreira, um "upgrade de conhecimento" do cabeleireiro e esteticista, com diferentes formações além das habituais reciclagens de atualização de moda e produto. Temos formações exclusivas em Portugal, como é o caso do curso de Terapia Capilar, que a ANCC promove no nosso país em parceria com a Academia Brasileira de Tricologia e o curso de Drenagem Vacuumlinfática Manual, ministrado pela Dr.ª Inês Fernandez, formadora de prestígio internacional, criadora e seguidora do método. É nossa intenção também aumentar a intervenção na área dos recursos humanos, PNL, Coaching, para gerar no setor um atendimento de maior qualidade.
Embora estejamos sediados no centro de Portugal, temos conseguido chegar às pessoas em qualquer parte do país. Desenvolvemos essa dinâmica de internacionalização com a acupuntura, que em tempos também representámos. Neste momento, temos nas nossas formações profissionais da moda e da saúde vindos inclusive do estrangeiro.

Como se distingue de outras associações de cabeleireiro?
Distinções, não existem. Cada uma tem a preocupação de promover e defender os seus associados. No entanto, a ANCC, nunca se focou apenas no Sócio, mas na classe aberta a outras vertentes. Assim, as parcerias são uma aposta permanente e o que nos distingue pela diferença, será por não nos focarmos apenas nos setores que representamos.
A maior dificuldade que temos, e é transversal a todos, é a de transmitir às pessoas que mais do que uma associação sem fins lucrativos, somos um Parceiro que está disponível para ajudar e, sobretudo, valorizar os setores que representa.

Quais são as vantagens de se ser sócio da ANCC?
Vantagens são inúmeras! Desde sermos muito isentos e neutros em relação às marcas comerciais, por exemplo, ou através de uma simples consulta jurídica, da qual o associado pode usufruir gratuitamente e que é bastante mais cara do que um ano de cotização!
A estrutura interna da ANCC e dos seus parceiros, cumulativamente com a sua vasta experiência e conhecimento da área, permite um apoio constante aos associados e o seu acesso a serviços e formações de extrema qualidade, por valores muito acessíveis em relação ao mercado nacional e internacional.
Existe uma contrapartida! O acesso à ANCC é dirigido apenas a quem acredita no dinamismo e crescimento pessoal e profissional. Não se deve ser sócio num conceito clubista, mas sim participativo. Afinal, uma associação é feita de todos os seus associados!

Quais os objetivos da Associação relativamente à formação para cabeleireiros?
Criar profissionais de elite. Não apenas pela aptidão e competências, mas essencialmente pelo conhecimento analítico do que faz. Mais do que saber fazer, os profissionais do século XXI, têm de usar o pensamento. Existe muita contra informação na Internet e redes sociais. Quem tiver respostas fundamentadas pelo conhecimento, cativa a confiança. Daí a aposta em formação complementar bastante diversificada, às bases. A oferta de serviços é muito variada e competitiva, a divergência de preços provoca muita insegurança no cliente.

Que tipo de formações disponibilizam?
A ANCC disponibiliza formação principalmente em três áreas: a Gestão, nas vertentes Pessoal e Profissional; o Comércio; e a área dos Cuidados de Beleza, sendo nesta última onde incide a maior aposta de toda a nossa oferta formativa.
Oferecemos aos nossos sócios e formandos profissionais do setor dos cuidados de beleza um vasto leque de formações que vão desde a formação base direcionada a todos os que pretendam ingressar na área e qualificar-se, passando por formações de reciclagem e atualização de conhecimentos profissionais, até à formação altamente especializada para os profissionais que procuram sempre evoluir nas suas profissões.

Como é que os profissionais podem ter acesso a estas formações?
Para ter acesso à nossa oferta formativa, basta visitar-nos no nosso website em www.ancc.pt ou seguir-nos através da nossa página do Facebook: www.facebook.com/anccportugal/

Quais os projetos da ANCC para 2018?
Existem procedimentos que fazem já parte do ADN da ANCC, que deverão ser revistos, por forma a levar Associação a uma mudança de paradigma no que respeita aos conteúdos. Embora muitos dos procedimentos atuais sejam mantidos, é importante revê-los e reajustá-los à nova realidade da ANCC e do setor que representa.
É nossa intenção para 2018 a implementação de novos procedimentos. A título de exemplo menciono dois deles:
1. Criação de Código de Conduta: Criação de um documento genérico, de acordo com exigências legais e conhecimento adquirido, que abranja todas as regras de ética e conduta relevantes, para que os associados possam oferecer um serviço de excelência.
2. Auditoria/Consultoria: Com o intuito de oferecer um serviço mais completo, que vise satisfazer algumas necessidades dos seus associados, a ANCC, no futuro, irá efectuar auditorias, a pedido, por profissionais qualificados.

E a longo prazo?
A ANCC, enquanto Associação Nacional que representa um vasto setor, deverá alterar o paradigma de atuação e apresentar-se num futuro próximo como a entidade máxima, a quem todos recorrem e reportam. Deverá ser capaz de resolver, ou aconselhar, no sentido de solucionar, todo o tipo de problemas dos associados. Paralelamente, a ANCC deverá estar sempre informada das vitórias e sucessos dos seus associados, aplaudindo e incentivando sempre o crescimento do setor. Finalmente, terá de reivindicar de novo uma participação ativa nas decisões governamentais que persistem sistematicamente em ignorar quem efetivamente conhece o setor.

Qual a sua opinião sobre o setor de cabeleireiro em Portugal?
No meio de tanta oferta, evoluiu quem tinha maiores bases profissionais e empresariais. Reinventaram-se e recuperaram-se conceitos, como o barbeiro e não só. A profissão está na moda e recomenda-se!
Mas podemos ser muito mais. Não pela nossa hierarquia social e profissional, mas sobretudo pelo nosso cliente. Tanta coisa que se pensa saber e tanta coisa que precisamos ainda de aprender. Cabe-nos a nós, enquanto profissionais, saber ultrapassar os limites do conhecimento e sair da nossa zona de conforto. As novas gerações têm essa consciência, mas não poderá ser apenas visualizar um vídeo de 30 segundos no YouTube e pensar que já está!
Neste momento, existem dois tipos de atividades: pessoas que têm visão empresarial, que definem metas e objetivos com qualidade e permanente inovação; e os outros que, resignados, se defendem com o low cost apenas para sobreviverem, o que é triste e lamentável. Muitos são cabeleireiros por pensarem que é fácil, mas é um tremendo engano! Ser-se bom no que se faz obriga a uma atualização constante.

O que considera ser preciso alterar?
A imagem foi muito melhorada, mas falta aprofundar mais o nosso QI. Temos de passar de artífices a especialistas! É importante apostar numa visão integrada das necessidades dos clientes. O cabeleireiro de hoje já não é um "Eduardo Mãos de Tesoura". Exerce inconscientemente uma série de sub profissões: é ouvinte e conselheiro como um psicólogo, um guardador de confidências como um padre, decorador de cabelos como um arquiteto especializado, um escultor sem margem para erros, engenheiro químico na cor e na forma, tem de ser permanentemente um relações públicas, um criativo de marketing, um gestor financeiro e de recursos humanos. Ou seja, muito mais que apenas cabeleireiro. Temos forçosamente de validar este tipo de mestrado!

Para terminarmos, que mensagem gostaria de passar aos profissionais de cabeleireiro?
Apenas uma única: a prática aliada ao conhecimento de causa e a sua validação são a base do profissional do futuro.
É preciso aprofundar muito mais a profissão. Não pode passar apenas por se tirar um curso (desregulamentado!) e pensar que somos os maiores! É verdade que, comparativamente com aquilo que aprendemos e como o exercemos, ao lado de outros países, faz-nos uns iluminados! Mas não temos de jogar apenas por instinto, só temos de abrir a mente ao conhecimento.

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